download do Club Foot Orchestra

01abr09

Meu amigo PB disponibilizou o raro e difícil de achar disco do post anterior Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, inteiro pra download.

Confira lá, e aproveite pra visitar o resto do espiclondrífico, pantalifúsio e macavenco Mundo Estranho de PB. Só coisa fina e rara de um cara que manja de música como poucos que conheço.

Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, 1995

27mar09


Rating: ★★★★½

Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.

Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.

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Os Melhores de 2008

23dez08

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Dois mil e oito parece ter sido um ano mais moderado e comedido, ao menos para os caras que escrevem aqui.
Após receber as escolhas e textos introdutórios dos sempre excelentes colaboradores deste blog, praticamente todos disseram a uma coisa: “neste ano ouvi menos novidades que nos anteriores”. Os motivos podem ser vários: muito trabalho, falta de tempo, escassez de bons sites pra se ler sobre o que gostamos de ouvir, muita porcaria sendo produzida, menor disposição pra procurar por aí, ou simplesmente um espírito crítico maior, já que todos estamos ficando mais velhos :P

O fato é que, apesar disso, nunca uma lista de melhores do ano do Aporias, com opiniões distintas, foi tão boa e coesa como esta aqui.

Espero que curtam como nós!

 

Não sei se vocês leram “Fábulas Fabulosas”, do Millôr. Lá tem a fábula dos dois chineses chamados Shin-Fon e Shen-Tao. O primeiro vai relatando o que tem passado na vida e o outro responde “Isso é mau”, no que outro conta um contraponto para a frase anterior, o leva o amigo a dizer “Isso é bom” e assim por diante. Bom essa tem sido minha relação com a música.
A cada ano ouço menos música (isso é mau), ao passo que sempre faço mais música (isso é bom). Ouço música mais no carro do que em casa (isso é mau) mas passo mais tempo em casa do que no carro (isso é bom). Todo fim de ano chega a hora de fazer a lista dos melhores do ano aqui e vejo que não escutei quase nada novo, especialmente que se encaixe no Aporias (isso é mau). Porém, é a oportunidade de dar uma reciclagem e, graças a uma lista de novidades do Bêla, posso ouvir coisas ótimas que não tinha escutado (isso é muito bom).
Moral: Pára de reclamar e vai escutar música!
Marcio Nigro

Acho que este ano não tive nenhuma grande revelação ou descoberta sensacional em matéria de música. Os melhores discos que ouvi foram os novos álbums de gente que já tinha lançado discos excelentes ano passado, como Marnie Stern, Deerhunter, Okkervil River… todos conseguiram no mínimo manter o nível dos trabalhos anteriores, o que não é pouco. Mas como não quis praticamente repetir aqui a minha lista de 2007, deixei esses discos de lado e decidi abrir espaço pra coisas mais inusitadas, como por exemplo… heavy metal. Seja nas vertentes black, doom, sludge, ou disfarçado de jazz ou de folk low-fi, o metal dominou em 2008. Não deixa de ser a trilha mais apropriada pra esse ano meio trash que agora termina…
Roger Marmo

Achei 2008 muito bom em termos de lançamentos, embora eu não creio que tenha ouvido tanta coisa nova como no ano anterior. Fazer uma seleção de melhores é sempre complicado e eu tenho plena consciência de que deixei muita coisa boa de fora. Por exemplo, tirar o Modern Guilt, do Beck, foi especialmente doloroso, porque acho que ele conseguiu fazer um dos melhores álbuns de sua discografia, mas preferi privilegiar outras coisas que eu temia que acabassem não citadas por aqui. Além disso, só pra citar, mas como fã de sons mais barulhentos, pesados e agressivos, 2008 foi maravilhoso, com a “volta” do Metallica, e grandes discos de bandas como Gojira, Testament, Earth, Dub Trio, Melvins, Boris, etc… Só não me falem daquele tal de Cavalera Conspiracy, aquilo é lixo!
Richarley Menescal

Ouvi bem menos coisas novas em 2008 do que nos anos anteriores. Em 2007 foram mais de 300 discos. Desta vez, bem menos da metade disso. Fui mais criterioso ao baixar e/ou comprar. Resultado: uma lista muito mais difícil de parir.
Pessoalmente, este ano foi a vez de rever, re-analizar discos antigos já conhecidos, bandas que gosto, etc. Aqueles ótimos álbuns que você escutou uma, duas vezes e esqueceu da existência. Apesar de ter procurado menos novidades, curiosamente minha lista deste ano traz mais discos de artistas por mim desconhecidos até então que as dos anos anteriores.
Minhas escolhas não se basearam apenas em discos dos quais eu gostei muito (se fosse assim, incluiria Buena Vista, dEUS, John Zorn, Terakaft, Firewater, Metallica…). Um dos principais critérios foi originalidade. O outro foi de evitar repetir artistas que já foram citados em outros anos aqui no Aporias, o que contribuiu ainda mais pra essa sensação acima.
Carlos Bêla

 

Os discos estão organizados em ordem alfabética por artista.
Não há ordem de preferência:

 

 

The Advisory Circle: Other Channels


Muitas vezes um jeito de enxergar a música do futuro é ouvir aquela do passado. O que esse grupo eletrônico do selo Ghost Box fez foi pegar samples de transmissões inglesas da década de 70, misturar com sons de filmes informativos antigos, achados musicais e áudios estranhos e construir algo novo, que parece ter sido feito hoje. Raymond Scott do século vinte e um?
(Bêla)

 

 

Bar Kokhba Sextet: Lucifer, The Book of Angels, Vol. 10


Não tem jeito, o Bar Kokhba é o que há de mais refinado e elegante quando o assunto é John Zorn, reunindo a nata de seus colaboradores. E mesmo como o 10º volume de uma coleção de nível tão alto como essa The Book of Angels, Lucifer se destaca como uma das obras mais representativas da genialidade de Zorn.
(Richarley)

 

 

Bill Frisell: History, Mystery


Comparo Bill Frisell a um samurai, aquele sujeito quieto e aparentemente inofensivo mas que é capaz de cortar você me pedacinhos em um segundo. Sua guitarra inconfundível é de uma gentileza sem par entre seus pares. History, Mystery não foge muito do que ele já fez em álbuns anteriores mas tem um je ne sais quai musical que o torna diferente. A faixa Struggle (ouça acima) em especial traduz isso com maestria.
(Nigro)

 

 

Black Mountain: In The Future


Bandas que abusam de psicodelia podem ser uma grande roubada, como uma masturbação sem graça para usuários de lsd. Mesmo temendo isso, quando terminei de ouvir esse fantástico disco do Black Mountain, eu simplesmente agradeci por ele não ser menos psicodélico. Na boa, é um disco bom demais para ouvir doidão.
(Richarley)

 

 

Bohren & Der Club of Gore: Dolores


Sexto álbum desses alemães que, saídos de bandas de metal e hardcore resolveram se juntar no início dos anos 90 pra tocar… jazz. Ou, como eles próprios admitem, botar em prática suas principais influências: Black Sabbath e Sade (a cantora, não o marquês). O resultado é uma espécie de “doom jazz”, muito lento e esparso, lembrando as trilhas de Angelo Badalamenti para os filmes de David Lynch.
(Roger)

 

 

Cult of Luna: Eternal Kingdom


Grande parte do ano eu meio que segui um ritual estranho: ouvia as três primeiras músicas desse disco e repetia a terceira, Ghost Trail (com mais de 10 minutos), uma ou duas vezes para, então, continuar a audição. Incrível que, por trás de todo o peso característico do som desses suecos, ainda há espaço para arranjos tão pegajosos.
(Richarley)

 

 

David Byrne and Brian Eno: Everything That Happens Will Happen Today


David Byrne eu aprendi a admirar de trás para frente: primeiro sua carreira solo, depois o Talking Heads. Descobri que que Byrne tinha muito a oferecer quando ouvi The Forest, CD que continha um aviso: “WARNING: CONTAINS ORCHESTRAL MUSIC”. Já Brian Eno comecei de seus primeiros álbuns e depois fui avançando e descobrindo sua genialidade como produtor, compositor e exímio criador de paisagens sonoras. Junte esses dois na mesma panela (o que não é a primeira vez que isso acontece) e temos algo difícil de não saborear. Everything That Happens… tem pop e experimentalismo a dose que eu gosto, sem se desviar demais para nenhum dos lados.
(Nigro)

 

 

DeLeon: DeLeon


Desde da primeira audição, há algumas semanas, não consigo parar de ouvir esse disco. DeLeon une um rock indie bem feito com a musicalidade sefardita do século XV. O mais puro 15th Century Spanish Indie Rock!
(Bêla)
Leia resenha aqui.

 

 

The Dodos: Visiter


Esse duo californiano pode, à primeira ouvida, parecer apenas mais um grupo de indie folk como tantos outros. Mas a partir da segunda faixa desse disco a coisa começa a pegar, e você percebe que em nenhum outro lugar esse ano se ouviu instrumentos acústicos tocados de maneira tão hiperativa, acompanhados de uma percussão variada e itensa, com assumidas influências africanas.
(Roger)

 

 

Esbjörn Svensson Trio: Leucocyte


Demorei duas audições pra captar a genialidade e força desse disco. E quase chorei de tristeza e raiva por saber que este é o último trabalho do E.S.T. O pianista e líder Esbjörn Svensson morreu tragicamente em junho deste ano aos 44 anos, pouco antes do lançamento deste que, possivelmente, é o melhor álbum do trio sueco. Gravado ao vivo em estúdio, Leucocyte usa o jazz pra alcançar novas ambiências e audiências. Um passo à frente, por favor. E um minuto de silêncio.
(Bêla)

 

 

Genghis Tron: Board Up the House


Ahh, por mais que eu sempre tenha apreciado metal extremo, não é o tipo de música que eu tenha muita esperança em ouvir algo original e isso nunca foi, necessariamente, critério de qualidade. Mas ainda bem que esse trio eletrônico de grindcore (hein!?) apareceu para mostrar que ainda há muito espaço para experimentações bem sucedidas num estilo tão saturado.
(Richarley)

 

 

Harvey Milk: Life… The Best Game in Town


Esses veteranos do sludge metal, talvez a única banda do gênero saída da famosa cena de college rock da cidade de Athens, Georgia, conseguiram enfim lançar um disco em que combinam perfeitamente suas principais referências, Melvins e ZZ Top. E o pôster detonado do Iron Maiden na foto da capa dá o toque de classe que faltava.
(Roger)

 

 

Intronaut: Prehistoricisms


Raramente uma banda de metal monolítico como Isis ou Mastodon permite que se ouça algo mais de seu baixista do que uma constante vibração subsônica. No caso deste disco do Intronaut, banda que também se encaixa nessa linhagem do heavy metal experimental, o baixo é o instrumento que mais se destaca na maioria das músicas, graças às linhas em contraponto às guitarras e ao timbre característico do instrumento fretless.
(Roger)

 

 

Jonny Greenwood : There Will Be Blood


Curioso. Quase ninguém gostou de Sangue Negro. Eu gostei muito. Provavelmente porque durante todo o filme fiquei admirando a trilha sonora, que apresenta originalidade incomum nos dias de hoje. A textura de orquestra criada nos primeiros 20 minutos de filme (para alguns insuportável) já me conquistou do início. Mais admirado fiquei ao saber que a autoria era de um cara do Radiohead, banda que nunca entendi muito bem (não me atirem pedra, mas acho muito chato essa inglesada deprimida mas que não tem coragem de se suicidar). O fato é que achei o trabalho de Greenwood ousado e belo.
(Nigro)

 

 

Man Man: Rabbit Habits


Pô! Depois de um disco tão bom como foi o Six Demon Bag (Leia resenha aqui), de 2006, as minhas expectativas deviam estar altas demais para o novo lançamento do Man Man, porque a primeira audição não foi nada positiva. A verdade é que eu precisei de um incentivo de um amigo para ouvir mais desse disco, que foi crescendo a cada audição e quando eu menos percebi, já estava novamente submisso às loucuras desse quinteto da Filadélfia.
(Richarley)

 

 

Marc Ribot’s Ceramic Dog: Party Intellectuals


Marc Ribot é velho conhecido de muitos dos 17 leitores deste blog. Mas neste novo projeto, o guitarrista que toca de música cubana a avant-garde, de jazz a Tom Waits surpreende com uma pegada mais rock, indo muito pro experimental, post-rock, punk, com boas doses de improviso e até elementos kitsch. Além de Ribot, fazem parte do grupo Shahzad Ismaily (Two Foot Yard, Secret Chiefs 3) no baixo e eletrônicos e Ches Smith (Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, Ben Goldberg) na bateria e eletrônicos.
Ouça a música acima, a partir dos 3 minutos e entenda.
(Bêla)

 

 

Marco Benevento: Invisible Baby


Se você é daqueles que gosta de discos de estilos impossíveis de se definir, esse aqui é pra você. Teoricamente é jazz. Mas na prática, é post-rock, pop, electro, metal, avant-garde, modern creative, video-game retrô, free-jazz, rock’n'roll, funk, 70’s, 60’s, folk, etc. Tudo isso com um trio de baixo, bateria e teclas (piano, órgão, synths antigos, etc). Complexo, leve, pesado, simples, tudo ao mesmo tempo.
(Bêla)

 

 

The Mars Volta: The Bedlam in Goliath


A primeira vez que ouvi falar em Mars Volta foi numa reportagem da Folha de S. Paulo há alguns anos. Tradicionalmente, quando algum crítico da FSP fala bem de uma banda descolada, é quase certo que vou odiar (Artic Monkeys e coisas do tipo). Porém, quando li as comparações com King Crimson achei que valia a pena conferir. E valeu mesmo. Frances The Mute me impressionou pela ousadia e energia. Amputechture já não me conquistou tanto e nem cheguei mencioná-lo nos melhores do ano aqui no Aporias. Porém, eles voltam ao trono desta vez. The Bedlam in Goliath é o tipo de bizarrice que temos de cultivar na música.
(Nigro)

 

 

The Matthew Herbert Big Band: There’s Me And There’s You


Canções políticas de protesto em forma de big band jazz, recortes eletrônicos, com uma ótima cantora soul em algumas faixas e toques de música concreta? Ao invés de slogans, baterias eletrônicas programadas com sons de armas de guerra, percussão folclórica e ainda dá pra assobiar as melodias e acompanhar a bateria com o pé? Produtor e remixador de bandas como Moloko, Björk and R.E.M., Matthew Herbert construiu um mundo musical totalmente próprio e original.
Se um disco neste ano me deixou besta com a inventividade e musicalidade, foi este aqui.
(Bêla)

 

 

Max Richter: 24 Postcards In Full Colour


Max Richter cresceu ouvindo Pärt, Glass, Berio, Reich e outros compositores eruditos contemporâneos. Somou a eles doses de música pop, rock e eletrônico, pra chegar numa música própria sem limites e regras. Apesar dessa descrição parecer que o rapaz faz música difícil, a graça é justamente o contrário. Neste disco a proposta é fazer 24 temas para ringtones de celular mas, claro, é muito mais que isso. São fotografias sonoras, introspectivas, emocionais, mundanas e minimalistas. Belíssimo.
(Bêla)

 

 

Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1


A primeira parte da trilogia Radiolarians já mostra um direcionamento bem mais experimental e menos funkeado do que já conhecemos deles, fechando o ultra-produtivo ano de 2008, que teve mais dois ótimos álbuns, sendo um também da série The Book of Angels, de John Zorn. Se eles manterem esse ritmo, 2009 promete!
(Richarley)
Leia resenha aqui.

 

 

Mike Patton: A Perfect Place


Em 2008, Mike Patton apareceu mais como participação ilustre em álbuns de outros músicos do que com seus próprios projetos. No entanto, logo no primeiro trimestre do ano, ele lançou essa surpreendente trilha-sonora do pouco conhecido filme independente A Perfect Place. Todos os fãs de Patton sabem o quanto ele também é um apaixonado pela sétima arte e acredito que ele correspondeu muito bem às expectativas. Aliás, esse disco tem um maravilhoso clima meio Mr. Bungle, o que é sempre muito bem vindo.
(Richarley)

 

 

Mogwai: The Hawk is Howling


Fã do Mogwai já sabe o que esperar do grupo, apesar deles já não soarem tão barulhentos quanto antes. Mas é aquela coisa, se eles ainda conseguem manter a fórmula de suas composições num nível muito bom, então tá ótimo.
(Richarley)

 

 

Mount Eerie: Black Wooden Ceiling Opening


Mount Eerie é o nome que Phil Elverum adotou após abandonar seu projeto anterior, The Microphones. Para trás também ficou o pop-psicodélico-low-fi, em favor de um som mais minimalista e sombrio, ou, nas palavras do próprio, um tipo de “black metal orgânico” – conceito expresso no “black wooden” do título desse EP.
(Roger)

 

 

Neon Neon: Stainless Style


É difícil acreditar que o revival dos anos 80 ainda é capaz de inspirar música de qualidade. Mas é o caso desse projeto, para o qual Gruff Rhys, vocalista do Super Furry Animals, e o produtor de hip-hop experimental Boom Bip se juntaram para criar um álbum conceitual baseado na vida do lendário engenheiro automobilístico John DeLorean.
(Roger)

 

 

Nick Cave & The Bad Seeds: Dig!!! Lazarus Dig!!!


Aparentemente Nick Cave não conseguiu saciar toda sua vontade de tocar ROCK só com seu projeto paralelo “de garagem”, Grinderman (Aporias: melhores do ano passado), que lançou disco em 2007: este novo álbum com seu grupo oficial, The Bad Seeds, é tão enérgico, caótico e decadente quanto.
(Roger)

 

 

Paola Prestini: Body Maps


A música erudita contemporânea, com doses de avant-garde, de Paola Prestini é de uma delicadeza e beleza que poucas vezes ouvi. Compositora e cantora, Paola mistura cellos, clarinetes, pianos, vozes e percussão, além de eletrônicos, em 6 distintas peças, de arranjos dissonantes, instrumentação nada tradicional e um lirismo prodigioso (!). Clap clap clap!
(Bêla)

 

 

Portishead: Third


Foi engraçado ver a reação de estranhamento que muita gente teve com esse disco. Depois de tanto tempo esperando o novo álbum (11 anos!?), os mestres do trip-hop resolveram subverter o gênero que praticamente ajudaram a estabelecer. Há elementos de progressivo, krautrock, e um clima menos deprê e mais sóbrio do que no segundo álbum, o que eu achei maravilhoso. Na minha opinião, quem ainda não deu uma segunda chance ao álbum tá perdendo um dos melhores discos dos últimos anos.
(Richarley)

 

 

Secret Chiefs 3: Xaphan, The Book of Angels, Vol. 9


Tudo bem que a banda de Trey Spruance ainda está devendo uma continuação de seu Book of Horizons, de 2004, mas é claro que o Secret Chiefs 3 tocando composições do livro Masada (John Zorn) não podia dar errado, né!? Ah, como eu queria ver isso ao vivo!
(Richarley)

 

 

The Tango Saloon: Transylvania


Spaghetti Western + Tango? Ennio Morricone + Cha Cha Cha? Piazzolla + jazz + música clássica + improvisação?
Isso aí tudo e muito mais, sem ter um ar superficial ou forçação de barra. O segundo disco do grupo de 15 músicos australianos é uma evolução do que começaram em 2006. Se aprofundaram, adicionando mais novos elementos ao pacote, como a evidente temática de terror que nome do disco e capa sugerem, além de alguns vocais femininos, marchas, música mediterrânea e cigana.
(Bêla)
Leia comentários do disco anterior aqui.

 

 

Toumani Diabaté: The Mande Variations


Nascido em Mali, Toumani Diabaté é um virtuoso de kora (harpa africana) há decadas. Se o instrumento principal pode dar a entender que a música é “folclórica” ou “world”, ledo engano, amigo. Poucas vezes uma música africana soou tão universal quanto aqui. E o tocar desse cara é algo realmente especial.
(Bêla)

 

 

Wire: Object 47


Apesar da saída do guitarrista e membro-fundador Bruce Gilbert, o Wire (dessa vez eles não tiraram uma letra do nome, como fizeram quando o baterista Robert Grey deixou a banda no final dos anos 80) lançou talvez seu melhor disco desde seu retorno em 1999, provando que continuam os mestres do “punk matemático” que inventaram 30 anos atrás.
(Roger)
Leia resenha de outro disco da banda aqui.

 

 

Wrath Of The Weak: Alogon


Esse foi o disco que me levou a rever meus preconceitos em relação ao black metal, e me fez perceber que o gênero não é exclusividade de escandinavos com as caras pintadas de Secos & Molhados. Wrath Of The Weak é simplesmente um moleque dos cafundós do estado de Nova Iorque, gravando sozinho em casa. As guitarras produzem mais texturas do que riffs, e se misturam aos vocais distorcidos e enterrados no mix, mostrando que a relação entre o black metal e o shoegaze não é tão absurda assim.
(Roger)

 

 

Veja também:
Melhores discos de 2007
Melhores discos de 2006

 

E que 2009 seja melhor ainda!
Abraços e feliz ano novo a todos!

 

DeLeon: DeLeon, 2008

26nov08


Rating: ★★★★☆

Bela surpresa este disco.

Numa mistura original de rock indie, pop, folk, música cigana e sefardita (judaica, vinda de Portugal e Espanha), as auto-denominadas “melodias da pré-Inquisição pós-modernizadas” do quinteto DeLeon são deliciosas de ouvir.

O álbum dessa banda novaiorquina liderada pelo vocalista e guitarrista Dan Saks já mostra maturidade impressionante para o primeiro disco de uma banda formada em abril do ano passado.

As músicas, cantadas em inglês, hebraico ou ladino, além das influências citadas acima, trazem nacos modernos de Animal Collective, Talking Heads ou até Dengue Fever (com quem já fizeram tour).

O mais puro 15th Century Spanish Indie Rock!

MySpace oficial com mais 2 músicas pra escutar.

Clipe produzido pela própria banda na turnê com Mike Gordon e Balkan Beat Box:

Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1, 2008

14out08


Rating: ★★★★★

Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças – e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.

Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood.
Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.

Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).

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Roger Roger: Musique Idiote, 1971

29ago08


Rating: ★★★½☆

Tremendo mau humor?
Puto(a)? Chateado(a)? Triste?
Seu papagaio de estimação se matou?

Não tema!

Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.

São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.
E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.

Então, ouça o asonsado exemplo abaixo.
Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google.
Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.

Roger Roger na wikipedia

Os 100 melhores do Emusic

20ago08

O site/loja Emusic perguntou há um mês aos seus assinantes/leitores qual o melhor disco de todos os tempos.
O resultado está nesta lista dos 100 mais votados.

Como em qualquer lista desse tipo, não faltam escolhas discutíveis, mas de uma maneira geral a seleção é muito boa – e inclui alguns discos e artistas comentados aqui no Aporias.

Todos os discos podem ser comprados e baixados ao abrir uma conta no site.
(não tenho nenhuma relação com o Emusic)

The Thing: Garage, 2004

06jul08


Rating: ★★★★½

Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.

O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria.
Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.

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Stanton Moore Trio: Emphasis! (On Parenthesis), 2008

09jun08


Rating: ★★★★☆

Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.

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Mark Feldman: Music For Violin Alone, 1995

08mai08


Rating: ★★★★★

É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc

E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?

Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.

Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!

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Madeleine Peyroux: Dreamland, 1996

22mar08


Rating: ★★★★☆

Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.

- Garçon!
- Boa noite, senhor?
- Bela noite. Veja a lua!
- Deseja um drink, senhor?
- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.
- Perfeitamente, senhor. Com licença.
- Obrigado.

O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado.
Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.

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Giraffes? Giraffes!: More Skin With Milk-Mouth, 2007

12mar08


Rating: ★★★★☆

Girafas? Sim, girafas.
Só o nome da banda já dá vontade de baixar o álbum, nem que seja pra uma espiadela rapidita no som.
Pois. Fiz. E não é que não é só de nome que os caras são bons?

A dupla de Post/Math-Rock formada por Joseph Andreoli e Kenneth Topham faz um som que lembra principalmente The Advantage, mas também Hella e outros similares: melodias simples, repetitivas e frenéticas, tempo rápido, construção inteligente. Deve ser bem legal ver isso ao vivo.

Ouvir? Ouvir!

Confira o MySpace oficial que tem 6 faixas disponíveis pra auscutar, fora o exemplo abaixo que é praticamente um progressivo matemático:

Durrty Goodz: Axiom (EP), 2007

21fev08


Rating: ★★★★☆

A revista inglesa de “modern music” The Wire escolheu esse disco como um dos melhores de Critical Beats lançados em 2007.

Se você curte hip-hop minimalista grime, esse disco é pra você. Belo trabalho vocal do MC de 25 anos, com melodias criativas e bases muito bem construídas.

No MySpace oficial você pode ouvir algumas faixas do disco.

The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

08fev08


Rating: ★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)…
Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

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The Lickets: Journey In Caldecott, 2007

14jan08


Rating: ★★★★☆

Quarto álbum deles, foi lançado no mesmo esquema “quer pagar quanto?” do último do Radiohead. Mas quase ninguém ouviu falar da banda. Nem do disco que, sinceramente, achei bem melhor que o dos cabeça-de-rádio.

The Lickets faz um pastiche sonoro de estilos, resultando num som ambiente e calmo com construção formalmente minimalista. Soa quase orquestral, com alguns instrumentos construídos por eles mesmos, misturados a outros tradicionais e a alguns detalhes eletrônicos.

O Site oficial vale a visita, destacando uma espécie de game com a trilha sonora da banda.

No Myspace tem algumas faixas pra escutar, como esta aqui:


ouvindo

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Música criativa que foge do lugar-comum, experimental, avant-garde e outros estilos musicais pouco conhecidos. Dicas de álbuns pouco comentados na internet brasileira. Saiba mais sobre este site aqui.