Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.
Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood.
Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.
Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. E o anterior também (*).
Tremendo mau humor?
Puto(a)? Chateado(a)? Triste?
Seu papagaio de estimação se matou?
Não tema!
Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.
São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.
E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.
Então, ouça o asonsado exemplo abaixo.
Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google.
Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.
O site/loja Emusic perguntou há um mês aos seus assinantes/leitores qual o melhor disco de todos os tempos.
O resultado está nesta lista dos 100 mais votados.
Como em qualquer lista desse tipo, não faltam escolhas discutíveis, mas de uma maneira geral a seleção é muito boa – e inclui algunsdiscos e artistascomentadosaqui no Aporias.
Todos os discos podem ser comprados e baixados ao abrir uma conta no site.
(não tenho nenhuma relação com o Emusic)
Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.
O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria.
Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.
Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.
É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc
E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?
Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.
Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!
Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.
- Garçon!
- Boa noite, senhor?
- Bela noite. Veja a lua!
- Deseja um drink, senhor?
- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.
- Perfeitamente, senhor. Com licença.
- Obrigado.
O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado.
Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.
Girafas? Sim, girafas.
Só o nome da banda já dá vontade de baixar o álbum, nem que seja pra uma espiadela rapidita no som.
Pois. Fiz. E não é que não é só de nome que os caras são bons?
A dupla de Post/Math-Rock formada por Joseph Andreoli e Kenneth Topham faz um som que lembra principalmente The Advantage, mas também Hella e outros similares: melodias simples, repetitivas e frenéticas, tempo rápido, construção inteligente. Deve ser bem legal ver isso ao vivo.
Ouvir? Ouvir!
Confira o MySpace oficial que tem 6 faixas disponíveis pra auscutar, fora o exemplo abaixo que é praticamente um progressivo matemático:
A revista inglesa de “modern music” The Wire escolheu esse disco como um dos melhores de Critical Beats lançados em 2007.
Se você curte hip-hop minimalista grime, esse disco é pra você. Belo trabalho vocal do MC de 25 anos, com melodias criativas e bases muito bem construídas.
Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)…
Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?
Resposta: de tudo um pouco.
“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.
Quarto álbum deles, foi lançado no mesmo esquema “quer pagar quanto?” do último do Radiohead. Mas quase ninguém ouviu falar da banda. Nem do disco que, sinceramente, achei bem melhor que o dos cabeça-de-rádio.
The Lickets faz um pastiche sonoro de estilos, resultando num som ambiente e calmo com construção formalmente minimalista. Soa quase orquestral, com alguns instrumentos construídos por eles mesmos, misturados a outros tradicionais e a alguns detalhes eletrônicos.
O Site oficial vale a visita, destacando uma espécie de game com a trilha sonora da banda.
No Myspace tem algumas faixas pra escutar, como esta aqui:
O Aporias passou por algumas mudanças de comportamento neste ano. Uma quantidade menor de posts por mês, só que escritos com mais vontade, intercalados com dicas rápidas, ou Plás, ajudaram a criar um blog que acredito ser mais interessante do que era nos seus seis primeiros meses de vida, em 2006.
O número de colaboradores pulou de 3 para 6, adicionando novos pontos de vistas e consequente ecletismo maior às resenhas.
E já que, surpreendentemente, o post mais acessado aqui é d’Os Melhores de 2006, aqui vai nossa sempre parida com dificuldade lista de destaques de 2007.
Não creio que seja necessário comentar o quanto se é injusto ao criá-las e o quanto são pessoais, subjetivas e injustas.
*
Tecnicamente minha lista não pode ser chamada de “melhores do ano”, uma vez que ela cobre somente os discos lançados até Agosto. Infelizmente acabei ficando bem atrás em relação aos últimos lançamentos, já que passei a maior parte do segundo semestre de 2007 pesquisando a discografia deste excelente livro. Por outro lado, talvez isso tenha dado uma chance maior a bons discos lá do começo do ano que poderiam terminar ofuscados por lançamentos mais recentes.
No final do ano passado eu brinquei com o fato de que quase todos os discos na minha lista tinham violinos de uma forma ou outra. Desta vez o destaque vai para a velha e boa guitarra elétrica mesmo, já que 2007 (ou, pelo menos, metade dele) foi pródigo em novas bandas que não tiveram medo de abusar das 6 cordas, principalmente através de pilhas e mais pilhas de distorção. Roger Marmo
2007? A pedido do dono desse blog, dei uma olhada nas minhas estatísticas de 2007 na Last.Fm, e quase sem surpresa descobri que tenho ouvido só velharias. Deve ser a idade. Outgrowing rock’n'roll. Das novidades da moda, achei tudo um lixo ordinário: Artic Monkeys, The Killers, sei lá mais o quê. Descobri uma banda que gostei um pouco, o The Postal Service, droga, já é velha. Idem com Broken Social Scene. Alguns dos meus artistas favoritos reapareceram com novos trabalhos que não me despertaram grande interesse. Bjork e Radiohead, por exemplo. O novo do Polyphonic Spree foi morno. Charlotte Gainsbourg com produção do Air me entusiasmou logo na primeira audição, mas me entediou já na segunda. E os Mutantes acabaram de novo.
Das poucas novidades que rodaram por aqui em 2007, só de três tenho boas memórias no momento. Veja na lista abaixo.
Para terminar, vou ressaltar o tal podcast onde sempre tem sets ao vivo de artistas novos e obscuros: You Are Hear. Lá eu descobri gente como a Ninki V, Duracell, e Juana Molina. Tem muita coisa legal, algumas tão novas que nem tem disco gravado.
Assim foi 2007 para mim. Cáspite, ia me esquecendo: teve disco novo do Pato Fu e solo da Fernanda Takai esse ano… Lulu Camargo
Em retrospecto, acho que esse foi o ano que menos escutei música. Tenho ainda gigas e gigas de MP3 pra escutar e catalogar desde 2006, mais os que se acumularam nesse ano. A verdade é que passei a maior parte do tempo fazendo música, pois é esse e o meu trabalho: criação de trilha, mixagem etc. Não tem como escutar outras coisas enquanto trabalho. E mais: tem hora que o silêncio é valioso para descansar os ouvidos. Mas se me dedicar, ouço tudo que tenho no meu HD em três anos e pouco… Bom, segue o que achei de melhor das poucas novidades que pude escutar. Marcio Nigro
Tive a impressão não-fundamentada de que este ano teve uma média melhor de bons discos, ao mesmo tempo que os poucos realmente sensacionais vieram em menor quantidade que em 2006. Não sei se fui claro. Acho que não. Carlos Bêla
*
Desta vez não separamos as listas por colaborador e sim misturamos todas as indicações numa grande rol, cujos itens são apresentados em ordem alfabética por artista. Discos com mais de uma indicação contém comentários de todos seus votantes.
Alamaailman Vasarat: Maahan
Sei que o Bêla gostaria de botar esse CD na sua lista de melhores de 2007, mas eu tenho prerrogativa, pois sou provavelmente a pessoa do Brasil (e quem sabe até fora da Finlândia, país de origem dessa turma de loucos) a descobrir esse inusitado grupo. Já escrevi um post sobre eles aqui no Aporias e não vou ficar repetindo o que já escrevi. Este CD continua o mesmo conceito: uma banda terrorista de bar-mitzva. Sensacional.
(Nigro)
The Angels of Light: We Are Him
A banda que Michael Gira montou após o fim do Swans foi uma surpresa para muitos: o post-punk / post-industral / no-wave de outrora foi substituído por um folk estranho, melódico e acústico. Belíssimo disco pra entrar facilmente na lista de melhores da banda inglesa.
(Bêla)
Battles: Mirrored
Por culpa da ordem alfabética, este disco apareceu logo no começo da lista. Mas, apesar do certo hype repentino que se criou à volta do Battles que vai fazer com que inúmeras listas os indiquem como um dos álbuns do ano, o fato é que este disco é muito bom. E show dos caras então… fudido. Quem dera todos os hypes fossem em cima de bandas com essa qualidade e personalidade. (Bêla)
Um dos projetos americanos mais originais dessa década.
(Richarley) Leia resenha aqui.
Bernie Worrell: Improvisczario
O tecladista e pianista funk, compositor e produtor Bernie Worrell já tocou com tanta gente desde que ficou conhecido com seu trabalho no Parliament-Funkadelic que não caberia listar aqui, mas foram poucos os discos lançados sob sua batuta. Este aqui - com o baterista do Living Colour Will Calhoun, o baixista Brett Bass e o guitarrista Warren Haynes - é um ótimo exemplo de toda sua capacidade como instrumentista, compositor e arranjador. Funk, improviso e jazz pra bater o pezinho.
(Bêla)
Blonde Redhead: 23
Soa como uma continuação ainda mais pop do incrível Misery is a Butterfly, mas ainda repleta de composições inspiradas.
(Richarley)
Citay: Little Kingdom
Belíssima mistura de folk, progressivo e psicodelia.
(Richarley)
Cloroform: Clean
A banda norueguesa formada por Kaada, Øyvind Storesund (Kaizers Orchestra) e Børge Fjordheim (Morten Abel) tem lançado discos interessantes desde 98, mas neste Clean a mistura de eletrônicos com jazz, rock e o que mais você quiser chegou ao seu auge. Imprevisível, estranho, barulhento e lindo.
(Bêla)
David Torn (+Tim Berne, Craig Taborn & Tom Rainey): Prezens
Jazz de hoje e com cara de 2007.
(Bêla) Leia resenha aqui.
Deerhunter: Cryptograms
Psicodelia que parece se voltar pra dentro de si mesma ao invés de partir pra viagens interestelares. Experimentalismo com acessibilidade, melodia com dissonância, placidez com paranóia… Se fosse pra escolher apenas um disco, seria esse.
(Roger)
Earth: Hibernaculum
Leeeento e arrastado, não deve ser uma das bandas mais agradáveis de ver ao vivo, mas é totalmente genial dentro de sua proposta musical.
(Richarley)
Eivind Aarset: Sonic Codex
Nu-jazz de clima altamente sombrio e atmosférico.
(Richarley)
Erik Friedlander: Block Ice & Propane
Introspectivo e extremamente bem construído, Friedlander faz uma viagem ao seu passado, a histórias e lembranças de sua adolescência, e os traduz em 13 brilhantes composições conduzidas por um tocar de cello original, doce e ao mesmo tempo grave, forte e, muitas vezes, furioso.
(Bêla)
Exploding Star Orchestra: We Are All From Somewehere Else
Liderado pelo cornetista veterano Rob Mazurek (Chicago Underground e Isotope 217), esse grupo de 14 músicos que inclui John McEntire e Jeff Parker do Tortoise, entre outros tantos do free jazz avant-garde das últimas 2 décadas, cria um hard bop contemporâneo, orgânico e rico, repleto de referências a ícones como Quincy Jones, Sun Ra e Mancini, mas ainda assim inventivo e ambicioso.
(Bêla)
Fishbone: Still, Stuck in Your Throat
Sempre fui fã de Fishbone e a ausência prolongada (dizem que alguns integrantes e a polícia não têm bom relacionamento) do grupo deixou uma lacuna musical. Não é qualquer banda que eleva o Ska à condição de hardcore. Um dos poucos negros que não estão cantando hip hop ou tocando jazz.
(Nigro)
Frank Zappa: Buffalo Frank Zappa: Wazoo!
Ok, você vai dizer que o Zappa morreu faz tempo e ele não poderia ter lançado CD novo. Pra mim, esses dois álbuns trouxeram o mestre de volta à vida. Demorou, mas a família Zappa finalmente parece ter começado a liberar o que há de melhor do vasto arquivo deixado por Frank. Buffalo foi lançado mais no início do ano, e registra uma maravilhosa apresentação da banda de 1980, com as participações de Steve Vai e Vinnie Colaiuta, o gênio da bateria que é um show à parte. Já Wazoo!, CD duplo que acabou de sair, traz algo que ainda faltava no vasto catálogo do Zappa: um dos oito shows da breve turnê Grand Wazoo (um dos meus álbuns favoritos). A banda conta com 19 músicos é sensacional! Em destaque a versão de meia-hora de Adventures of Greggery Peccary. Imperdível.
(Nigro)
Gogol Bordello: Super Taranta!
Foi de longe o disco que mais ouvi neste ano. O bordel de Gogol é um delicioso mix de punk rock com música cigana, misturando à salada outras dezenas de gêneros musicais e influências folclóricas trazidas por seus integrantes russos, ucranianos, israelenses, etíopes, equatorianos, etc. Divertidíssimo.
(Bêla)
Grinderman
E eis que Nick Cave resolve dar um tempo com seu lado cantor de baladas, pega uma guitarra e três de seus fiéis Bad Seeds e monta uma legítima banda de garagem, curta, grossa e desenfreada a ponto de lembrar seus tempos de Birthday Party.
(Roger)
Gruff Rhys: Candylion
Em um ano que o próprio Super Furry Animals lançou um novo álbum, seu vocalista conseguiu fazer um disco solo ainda melhor.
(Richarley)
A Hawk And A Hacksaw And The Hun Hangár Ensemble
Apesar de alguns chamarem este disco de EP, os seus 30 minutos de duração valem mais que muito Long Play por aí. Enquanto o Gogol Bordello acima faz uma interpretação pop do som vindo das tradições balcãs, A Hawk And A Hacksaw interpreta a música do leste europeu de maneira mais elaborada, enigmática, sutil, noturna e, porque não, erudita - porém sem deixar de ser acessível. O disco mistura canções tradicionais com composições próprias de Jeremy Barnes (Neutral Milk Hotel) e Heather Trost (Beirut), influenciados pela imersão musical que fizeram em Budapeste em 2006 - e onde gravaram com o grupo Hún Hangar Ensemble este grande e curto disco.
(Bêla)
John Zorn: Six Litanies for Heliogabalus
Primeiro Moonchild, depois Astronome, mas Zorn e sua trupe (Patton, Dunn, Baron, entre outros) conseguiram se superar com uma das obras mais extremas já feitas.
(Richarley)
Um dos melhores álbuns do Zorn nos últimos anos.
(Bêla) Leia resenha aqui.
Juana Molina: Son
Descobri esta argentina numa apresentação ao vivo transmitida por um podcast (leia mais logo em seguida), fui atrás, achei o seu album mais recente e me apaixonei. Canções hipnóticas com timbres muito bem escolhidos. Acabei baixando toda a sua discografia, tem coisas belas e coisas mais-ou-menos. O melhor mesmo é o este seu último trabalho onde ela arredonda uma sonoridade única, criando uma marca registrada. Em setembro ela se apresentou em Sampa, fui conferir ao vivo e me apaixonei de novo. É tudo de verdade: ela debulha sozinha na voz, violão, teclados e pedais de delay.
(Lulu)
Kristin Hersh: Learn to Sing Like a Star
Álbum visceral da baixinha invocada. Sou suspeito. Sou fã da garota desde os tempos do Throwing Muses. Aqui ela volta emburrada, brava, crua e com ótimas canções e sua poesia obscura.
(Lulu)
Marnie Stern: In Advance Of The Broken Arm
Infelizmente, mulheres empunhando guitarras e comandando bandas ainda são minoria. Marnie Stern, além de fazer tudo isso, ainda toca usando uma técnica mais comumente associada a guitar heroes masculinos: o tapping. Só que ao invés de empregá-la para tocar 150 notas por segundo, ela prefere criar loops e riffs estranhos para acompanhar seus vocais meio cheerleader-from-hell.
(Roger)
The National: Boxer
Uma banda que lembra um pouco o Tindersticks, e não só nos quesitos “elegância” e “voz grave” – os dois grupos parecem viver no mesmo habitat de climas urbanos, noturnos e enfumaçados. Mas o National se destaca pelo baterista animal, que não quer saber de escovinhas nem pontas de feltro, e sim de agredir seu kit com ritmos complexos que acrescentam tensão e inquietude até às músicas mais arrastadas.
(Roger)
Okkervil River: The Stage Names
Parecia impossível essa banda superar seu último disco, Black Sheep Boy, um dos melhores de 2005. Este novo álbum não chega a representar uma revolução em relação ao anterior, e sim alguns degraus acima, o que não é pouca coisa… Se no início da carreira eles podiam ser facilmente encaixados nos gêneros indie-folk ou alt-country, hoje em dia conseguiram se tornar praticamente inclassificáveis.
(Roger)
Part Chimp: Cup
E dá-lhe mais barulho. Este disco na verdade é uma coletânea de singles e b-sides, mas foi um dos que mais me impressionaram à primeira ouvida esse ano. Apesar de terem surgido sob a proteção dos caras do Mogwai, com quem compartilham certa atração por tempos leeeeentos e acordes distorcidos sustentados ad eternum, o Part Chimp não se limita ao chamado sludge, preferindo variações radicais de dinâmica ou simplesmente momentos de pancadaria impiedosa.
(Roger)
Parts & Labor: Mapmaker
Aqui as guitarras saem de cena e o barulho fica a cargo apenas de teclado e baixo. Sem falar na bateria absurdamente ágil, que não nega as origens hardcore dessa banda que já dividiu um EP com Tyondai Braxton, do Battles.
(Roger)
A Place To Bury Strangers: A Place To Bury Strangers
Um disco de uma sonoridade suja como não se ouvia desde o século passado, pelo menos desde os bons tempos de Loop e Jesus & Mary Chain, no final dos anos 80. Deve ajudar o fato do frontman Oliver Ackermann projetar e construir seus próprios pedais de distorção.
(Roger)
The Polyphonic Spree: The Fragile Army
A banda de Dallas Polyphonic Spree bateu o recorde do Titãs “maior” banda do mundo. Com seus 24 integrantes, ela sempre teve um som bem peculiar, espalhafatoso, exagerado e com um q de nostalgia setentista. Os dois primeiros álbuns são bem interessantes, mas neste as composições são mais coesas como um todo e com ótimas canções. De repente, percebi que gostava CD inteiro e acabou entrando sorrateiramente nessa lista de melhores de 2007.
(Nigro)
Shining: Grindstone
O grupo norueguês Shining me foi apresentado pelo Bêla e é impossível de explicar o que é. Há um pouco de tudo: King Crimson, Zappa, Mingus, Wendy Carlos e até John Carpenter. Para a maioria da população mundial é algo insuportável. Para eu e mais uns 17 “iluminados” é maravilhoso.
(Nigro)
Sir Richard Bishop: While My Guitar Violently Bleeds
Infelizmente 2007 também foi marcado pela morte do baterista do Sun City Girls, encerrando definitivamente, de acordo com os fundadores, os irmãos Bishop, a trajetória de uma das bandas mais peculiares da música alternativa-vanguardista-estranha americana. Pelo menos o guitarrista Rick Bishop continua com sua carreira solo, sob a modesta alcunha Sir Richard Bishop, em que ele trafega com sua guitarra acústica por suas influências orientais, latinas, cigana etc. e etc.
(Roger)
Sleepytime Gorilla Museum: In Glorious Times
A faceta mais épica desta grande banda.
(Richarley)
Steve Vai: Sound Theories Volume 1 & 2
Antes de alguém torcer o nariz, explico: esse não é um álbum típico de virtuoso guitarrista Steve Vai. De modo geral, juntar um guitarrista com uma orquestra é a receita certa para a chatice generalizada. Bom, não é esse o caso. Nesse álbum, Vai resgata seu mentor, Frank Zappa, e apresenta um trabalho bastante sofisticado, incluindo arranjos novos de composições antigas — incluindo músicas do Flexable (Salamanders in the Sun ficou ótima!) — e peças especialmente arranjadas para a holandesa Metropole Orchestra, que estrela o segundo CD inteiro. Mesmo quem não gosta de Vai, tem que respeitá-lo.
(Nigro)
Tin Hat: The Sad Machinery of Spring
Antes Tin Hat Trio, com a saída de um dos fundadores, o acordeonista Rob Burger, e a entrada de 3 novos músicos (Zeena Parkins, Ben Goldberg e Ara Anderson), o grupo liderado pelo multi instrumentista Mark Orton pela cantora e violonista Carla Khilstedt resolveu virar apenas Tin Hat. Mas a sonoridade (felizmente) mudou pouco em relação aos 4 discos anteriores: predominantemente instrumental, dissolve e mescla de maneira não homogêna muito menos ortodoxa a liberdade de um jazz com as escalas européias, a elaboração de uma composição clássica moderna e música de câmara.
(Bêla)
Tomahawk: Anonymous
Muita gente torceu a napa pro terceiro disco do Tomahawk, mas o fato é que algo aqui não soa previsível ou fácil. E não elogio o disco pelo fato de eu ser fã do Mike Patton - a qualidade, a pesquisa e a idéia de mesclar música nativa americana com um rock desconstruído e fragmentado é puramente do guitarrista Duane Dension (Jesus Lizard). Se o disco pouco parece com os outros da banda e talvez lembre, estruturalmente falando, mais Fantômas que Tomahawk, o resultado é um som com uma cara muito pessoal e instigante.
(Bêla)
Trans Am: Sex Change
Quem me apresentou o Trans Am foi o próprio Bêla, em 2001, acho. Comecei com Futureworld, daí a trama lançou o Red Line por aqui, fudeu, virei fã incondicional. Todo baterista do mundo deveria por obrigação ouvir pelo menos um álbum inteiro dessa banda. Se o Police é um Cream filtrado pelo Punk, Trans Am é um Police filtrado pela eletronica. E este novo, está perfeito. Conspiracy of the Gods é minha nova “driving song”.
(Lulu)
O melhor álbum da banda desde o ótimo ‘Red Line’, de 2000.
(Richarley)
The Twilight Sad: Fourteen Autumns And Fifteen Winters
Eu tive que me conter para não incluir esses escoceses entre os melhores de 2006 só por conta do EP de estréia, lançado no final daquele ano. Pois valeu a pena esperar por este LP, em que eles demonstram perfeito domínio da arte de sobrepor camadas e mais camadas de guitarras para criar crescendos que beiram o épico.
(Roger)
Van Der Graaf Generator: Real Time
Ainda estou devendo um post exclusivo sobre o VdGG, banda dos anos 70 da qual sou muito fã, e que se reuniu para uma turnê no final de 2006. Ela é a banda maldita do dito rock progressivo, muito embora essa não é necessariamente a melhor forma de classificá-la. Para mim o estilo do VdGG é “harmonia do caos”. Porém, como quase ninguém gosta ou entende o caos, acaba sendo difícil penetrar e compreender o som de conjunto, liderado por Peter Hammill, que “fez pela voz o que Jimi Hendrix fez pela guitarra”, nas palavras do mestre Robert Fripp. O CD é um registro saudosista, com o velho Hammill sem o brilho de outrora. De qualquer modo, para os fãs, é um registro emocionante.
(Nigro)
Von Südenfed: Tromatic Reflexxions
Senhor Mark E. Smith, dos The Fall, enroscou-se com a dupla Mouse on Mars para formar o esquizofrênico, eletrônico e e pós-punk Von Südenfed. Que LCD Soundsystem o que… Von Südenfed comanda!
(Bêla)
The Young Gods: Super Ready / Fragmente
O retorno à velha forma dos mestres do industrial.
(Richarley)
O disco City Of Echoes, lançado neste ano, trouxe um significativo amadurecimento no som deste quarteto californiano que tem semelhança com bandas sludge/stoner/doom (ou o nome que mais lhe agradar) como Isis, Sleep, Neurosis, Mono, etc.
Apesar da qualidade do disco, que chegou a ser candidato aos melhores do ano aqui - post que deve aparecer aqui na próxima semana - Pelican não conseguiu superar sua melhor obra.
Este disco, de 2005, segundo da carreira da banda, tem um espírito mais jovem e apaixonado, embora menos complexo e pessoal. Pra começar a conhecer o Pelican e suas distorções sorumbáticas e macambúzias, este é o disco que eu sugiro.
Johann Sebastian Mastropiero é, provavelmente, o compositor fictício mais criativo de todos os tempos. Não conhece? Mas do Les Luthiers você certamente já ouviu falar? Não? Isso talvez se deva ao fato de que você fala português em vez de espanhol.
Criado em 1967, na capital argentina, o Les Luthiers é conjunto musical humorístico mais inventivo e ativo de todos os tempos. Aliás, é um dos fenômenos musicais mais indefiníveis que conheço, o que justifica sua aparição aqui no Aporias .
Durante seus 40 anos de existência, esse quinteto (que começou hepteto, depois sexteto) satirizou diversos estilos: da guarânia ao rock, do tango ao brega, da ópera à bossa nova, em turnês mundiais pelos países de língua hispânica e inclusive os EUA e o Brasil (em 1977 e 1980), com espetáculos em inglês e português, respectivamente.
The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-progHenry Cow.
Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.